O Internacional rescindiu o contrato de uma jogadora das categorias de base após um episódio ocorrido durante a partida contra o Sport, válida pela terceira rodada do Brasileirão Feminino, na segunda-feira (31 de março). Conforme apuração interna do clube gaúcho, a atleta foi responsável por arremessar um pedaço de banana em direção ao banco de reservas do time pernambucano, fato que ocorreu nos acréscimos do segundo tempo da partida, realizada em Porto Alegre.
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A atitude da jogadora, que havia chegado recentemente ao clube e tinha apenas 18 anos, motivou reação imediata da diretoria colorada. Segundo Ivandro Morbach, vice-presidente do Conselho de Gestão do Internacional, o desligamento foi comunicado ainda na noite do incidente e a rescisão foi formalizada na manhã de terça-feira (01 de abril). “Infelizmente aconteceu um gesto que partiu de uma atleta da base recém-chegada ao Sport Club Internacional. Imediatamente, ontem à noite a atleta já foi comunicada do seu desligamento”, declarou Morbach.
Tanto o Internacional quanto o Sport se manifestaram oficialmente sobre o ocorrido. Enquanto o clube gaúcho reforçou seu compromisso com valores que repudiam qualquer forma de discriminação, o Sport emitiu nota classificando o episódio como “repugnante” e exigindo punições severas à responsável. Ainda na segunda-feira, a diretoria do clube pernambucano registrou um Boletim de Ocorrência junto à Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
A Confederação Brasileira de Futebol também se pronunciou. A CBF encaminhou toda a documentação do caso à Procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que solicitou punição imediata ao Internacional. Como resposta preliminar, o presidente do STJD determinou que o clube perdesse três mandos de campo, sendo obrigado a disputar partidas fora de Porto Alegre e com portões fechados.
Paralelamente às medidas esportivas, o caso passou a ser investigado pela Delegacia da Intolerância de Porto Alegre. A delegada Tatiana Bastos confirmou a abertura de inquérito e já solicitou acesso às imagens da partida. “Recebemos esse caso hoje pela manhã e já pedimos acesso às câmeras de videomonitoramento”, afirmou. Segundo ela, os próximos passos incluem ouvir pessoas envolvidas no jogo, como atletas, torcedores e membros das comissões técnicas.
A delegada também explicou os possíveis desdobramentos legais. O ato pode ser enquadrado como racismo recreativo, injúria racial ou prática discriminatória, a depender da avaliação do Ministério Público e das provas reunidas. Conforme a legislação brasileira, esses crimes podem resultar em penas de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. Aliás, a situação ganha ainda mais gravidade pelo contexto em que ocorreu, logo após um gol da equipe adversária e diante de imagens transmitidas ao vivo pela TV Brasil.