Carlo Ancelotti, atual técnico do Real Madrid, está sendo julgado na Espanha sob a acusação de fraude fiscal. O Ministério Público do país afirma que o italiano deixou de declarar mais de 1 milhão de euros em rendimentos relacionados a direitos de imagem durante os anos de 2014 e 2015. A promotoria solicita uma pena de quatro anos e nove meses de prisão, além de uma multa que chega a 3,2 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 20 milhões.
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Em seu depoimento à Audiência Provincial de Madri, nesta quarta-feira (02 de abril), Ancelotti negou ter agido de forma intencional. “Para mim, tudo estava em ordem. Nunca pensei em cometer fraude”, afirmou. O treinador explicou que seguiu orientações fiscais fornecidas tanto pelo Real Madrid quanto por seu assessor pessoal, e que a estrutura sugerida para o pagamento de parte de seus vencimentos como direitos de imagem era considerada comum na época.

Segundo Ancelotti, aproximadamente 15% de seu salário foi designado como remuneração por direitos de imagem, prática que, segundo ele, beneficiava o clube e era amplamente adotada. “Achei normal, porque naquela época todos os jogadores e o técnico anterior tinham feito o mesmo”, relatou. Ele ainda destacou que seus contratos sempre foram negociados em termos líquidos e que não dava atenção especial aos direitos de imagem, por entender que esse tipo de receita é mais relevante para atletas do que para treinadores.
A defesa de Ancelotti alega que o técnico já quitou uma dívida de 1,2 milhão de euros referente ao caso. Mariann Barrena, esposa do treinador, prestou depoimento como testemunha e ressaltou que a família deixou Madri em maio de 2015, após o fim do vínculo contratual com o clube espanhol. Ancelotti também argumentou que esteve na Espanha por apenas 155 dias naquele ano, o que, conforme a legislação local, poderia isentá-lo da condição de residente fiscal no país.
A promotoria, contudo, sustenta que o treinador omitiu intencionalmente os valores obtidos com os direitos de imagem em suas declarações fiscais. O órgão destacou que a autoridade tributária espanhola já apreendeu a quantia devida, acrescida de juros, em ações anteriores à audiência.
O julgamento ainda está em curso e, embora não haja uma data definida para a sentença, as partes envolvidas podem buscar um acordo extrajudicial a qualquer momento. Assim sendo, o desfecho do caso dependerá do entendimento entre defesa e acusação, ou da decisão da Justiça espanhola nas próximas semanas.