A estreia do Corinthians na Copa Sul-Americana não apenas terminou em derrota como também gerou forte repercussão. Após o revés por 2 a 1 para o Huracán, na noite de quarta-feira (02), na Neo Química Arena, o jornalista Mauro Cezar não poupou críticas à atuação da equipe, especialmente à postura de Memphis Depay.
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O revés diante dos argentinos foi construído ainda no primeiro tempo, com dois gols marcados por Leonardo Sequeira, atacante que não balançava as redes há quase um ano. As falhas de marcação e a desorganização defensiva do Corinthians voltaram a aparecer, especialmente nas transições e no posicionamento entre os setores do campo. Conforme apontado por especialistas, esse desequilíbrio havia sido mascarado nas finais do Estadual, mas ressurgiu assim que o time voltou a enfrentar adversários do continente.
Apesar do investimento elevado em reforços, o desempenho coletivo ficou aquém do esperado. Memphis Depay, maior contratação da história do futebol brasileiro, novamente não justificou o alto custo. O holandês até protagonizou um chute ousado de longa distância, mas teve atuação apagada, com pouca movimentação e muitos erros. “Depay segue como um ‘vagalume’, com aparições esporádicas e pouco impacto no jogo”, destacou Mauro.
“Na quarta-feira, arriscou um chute da metade do gramado, que não se transformou em gol, mas vem sendo tratado como se fosse o que de mais genial alguém poderia fazer naquela noite. Um exagero cercado de subserviência coletiva. Fato: o holandês não justifica o elevado investimento feito”, prosseguiu o jornalista.
Neto faz quórum
O holandês também se tornou alvo de duras críticas por parte do ídolo corintiano Neto. Durante transmissão na Rádio Craque Neto, o ídolo da Fiel se mostrou indignado com a apatia do time e apontou o desempenho do atacante holandês como um dos pontos mais negativos. “Memphis, Libertadores, Sul-Americana, jogar contra argentino… É diferente, irmão. Você não jogou nada de novo, falta de vontade de jogar bola”, afirmou visivelmente irritado com a falta de entrega do camisa 10.
Aliás, o apresentador foi além ao analisar o coletivo corintiano e apontar falhas em outros nomes da equipe. “E mais, quem jogou muito? Carrillo, Raniele. O Yuri Alberto não deu um chute no gol, o Matheuzinho não cruzou uma bola, o Matheus Bidu não cruzou uma bola”, completou.
A performance da equipe diante dos argentinos foi classificada por Neto como humilhante. Para ele, o time adversário foi amplamente superior durante os 90 minutos. “O Huracán deu um chocolate em cima do Corinthians, chocolate!”, disse, destacando o contraste entre a intensidade dos visitantes e a postura corintiana.
Outros aspectos do Corinthians
No aspecto ofensivo, o início da partida foi promissor. O meio-campo conseguiu envolver o adversário em algumas ocasiões, e Raniele abriu o placar de cabeça após boa jogada de Carrillo. Ainda assim, o time não manteve o ritmo. O técnico Ramón Díaz tentou alterar o panorama no intervalo com mudanças que incluíram as entradas de Giovane e Talles Magno, reposicionando Carrillo mais recuado e Memphis como meia avançado. O resultado, entretanto, foi uma queda de rendimento e previsibilidade nas jogadas.
Outro ponto questionado foi a demora para utilizar Igor Coronado, contratado com alto custo e com função similar à de Rodrigo Garro, desfalque na partida. O meia entrou apenas aos 35 minutos da segunda etapa, quando o Corinthians já mostrava sinais claros de desorganização tática e desânimo. Mesmo com algumas tentativas individuais, a equipe já não apresentava a coesão necessária para buscar o empate.
A derrota amplia a frustração de parte da torcida, que enxerga no título estadual um alívio momentâneo diante da falta de conquistas maiores nos últimos anos. Afinal, embora vencer o campeonato paulista sobre o maior rival tenha sido marcante, o desempenho internacional continua distante do esperado para um elenco tão valorizado. Com isso, o clube inicia sua caminhada na Sul-Americana pressionado a reagir nas próximas rodadas, sobretudo se quiser evitar repetir os insucessos recentes fora do cenário nacional.