A recente vitória do São Paulo sobre o Talleres, em Córdoba, pela estreia na Copa Libertadores, trouxe alívio e ânimo ao torcedor tricolor. Contudo, fora de campo, os bastidores seguem movimentados por discussões sobre a utilização dos atletas formados nas categorias de base em Cotia. A ausência desses jovens nas convocações recentes reacendeu o debate sobre a política do clube em relação ao aproveitamento da base.
Notícias mais lidas:
Enquanto parte da torcida e analistas aponta para uma possível negligência por parte do técnico Luis Zubeldía, o comentarista Arnaldo Ribeiro, do UOL Esporte, apresentou uma visão distinta. Em sua análise, ele defendeu o treinador e atribuiu a responsabilidade pelas decisões envolvendo os jovens talentos à diretoria do São Paulo. “O Zubeldía queria levar Matheus, o Ferreira, o Ryan para a pré-temporada nos Estados Unidos. A diretoria é que não quis”, revelou o jornalista.

Conforme Arnaldo, o problema não está no comando técnico, mas sim na condução administrativa. Afirmou que figuras centrais do clube, como o presidente Julio Casares, o diretor Carlos Belmonte e o coordenador técnico Muricy Ramalho, evitam se expor publicamente sobre o tema. “Eles nunca se manifestam”, declarou, reforçando a ideia de que há omissão no processo de decisão.
Ainda assim, Arnaldo ponderou o papel de Muricy, lembrando que o ex-treinador sempre teve uma postura cautelosa em relação ao uso da base. “O Muricy sempre teve uma parcimônia gigantesca com os jogadores jovens”, comentou, ressaltando que o dirigente conhece bem os riscos de queimar etapas no desenvolvimento dos atletas.
A discussão se estende também à não utilização desses jogadores no Campeonato Paulista. Embora muitos cobrassem a presença das promessas, Arnaldo argumentou que o desgaste físico após a Copa São Paulo dificultou a participação. “Eles estavam no bagaço”, apontou, mencionando ainda a grave lesão de Hugo, eleito o melhor jogador do time, que rompeu o ligamento cruzado.
Portanto, a questão envolvendo Cotia vai além das quatro linhas. Envolve planejamento, decisões estratégicas e, sobretudo, transparência por parte da diretoria. A fala de Arnaldo evidencia que a ausência das “Crias de Cotia” em campo não deve ser vista como negligência técnica, mas como reflexo de escolhas institucionais do clube.