CBF toma atitude para ajudar os dirigentes da entidade

Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF, em entrevista coletiva da seleção brasileira feminina (Foto: Thais Magalhães/CBF)

Logo após ser reconduzido à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues viu os salários dos 27 presidentes de federações estaduais saltarem de R$ 50 mil para R$ 215 mil mensais. O reajuste representa um aumento de 330% e foi revelado por uma reportagem da Revista Piauí, publicada na sexta-feira (04). A medida gerou repercussão por ocorrer imediatamente após a reeleição de Ednaldo, que contou com apoio unânime desses mesmos dirigentes.

A eleição que confirmou a permanência de Ednaldo no comando da CBF até 2030 ocorreu sem concorrência, fato que não se repetia desde 1989. “O apoio foi integral, tanto dos presidentes das federações quanto dos clubes das Séries A e B”, informou a publicação. O presidente assumiu o cargo interinamente em 2021, após o afastamento de Rogério Caboclo, e foi eleito oficialmente em março de 2022. Seu novo mandato abrange o período entre março de 2026 e março de 2030.

O dirigente enfrentava desafios fora das quatro linhas enquanto consolidava sua liderança interna. Em dezembro de 2023, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou seu afastamento da presidência, ao julgar irregular o acordo que sustentava sua eleição. Contudo, após uma série de decisões judiciais conflitantes, o Supremo Tribunal Federal (STF) o reconduziu ao cargo em janeiro de 2024. Nesse cenário, Ednaldo convocou uma nova eleição, confirmando sua permanência.

Durante sua gestão, a CBF enfrentou dificuldades no desempenho esportivo da seleção masculina. A eliminação precoce na Copa do Mundo do Catar, aliás, resultou na saída do técnico Tite. A situação se agravou com a não classificação para os Jogos Olímpicos de Paris e, agora, com a demissão de Dorival Júnior após a goleada para a Argentina.

Questões envolvendo Ednaldo Rodrigues

O nome de Ednaldo Rodrigues também foi citado em episódios envolvendo gastos considerados extravagantes. A mesma reportagem revelou um grupo de 49 brasileiros que foi levado à Copa do Mundo de 2022 com recursos da CBF. O pacote incluiu passagens em primeira classe, hotel cinco estrelas, serviço VIP no aeroporto e até US$ 500 por dia em cartão corporativo. Entre os beneficiados estariam parentes próximos do presidente da entidade, como esposa, filha, netos, genro e cunhada.

A publicação ainda relata reuniões de Ednaldo com o deputado Arthur Lira para tratar da reeleição na entidade, além de mencionar contratos da CBF com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento (IPD), criado pelo ministro Gilmar Mendes e presidido por seu filho, Francisco Mendes. Com isso, a proximidade da CBF com figuras políticas passou a chamar a atenção no cenário esportivo e institucional.